domingo, fevereiro 24, 2013

Encontro com...



Anos de Sex and The City não vão me dar mais, ou menos, segurança na hora de um encontro. Primeiro: o seriado foi baseado em mulheres, e eu sou homem. Segundo: as personagens moravam em Nova York, eu vivo em São Paulo. Outros muitos porquês apareceram na hora de escrever esse texto, que de forma alguma serve para ensinar ou dar qualquer tipo de dica sobre o que fazer e o que evitar quando um encontro é marcado. Sou contra esse tipo de coisa, sempre achei mais fácil, interessante e divertido, conhecer alguém através de outra pessoa ou inesperadamente, em uma festa ou show, por exemplo. Mas as coisas estão cada vez mais radicais, os amigos sem tempo e as pessoas que poderiam aparecer na nossa frente estão trancadas em casa – na frente do computador ou trabalhando.

Essa incerteza, e o pensamento de que não há nada para você além do horizonte causa uma angústia, que é remediada com um bom drink, uma viagem ou qualquer compra. Como não dá para viver comprando, bebendo e viajando, o pensamento volta e se instala na porta da sua casa/flat/apartamento. Sem pedir licença ou qualquer outra gentileza. É como uma placa de trânsito – alguém colocou, está ali por algum motivo e pronto.

Para tentar contornar essa situação, resolvi fazer o que estão fazendo por aí: entrar em sites de relacionamentos, me cadastrar em aplicativos criados para certos perfis e cia. limitada. Tudo muito artificial, genérico e pavoroso. A rapidez que as coisas acontecem é de assustar até o mais low profile no assunto. Em um pensamento não muito distante, é como se as pessoas estivessem em prateleiras de algum mercado – esse serve para mim, esse não.  É pegar, pagar e comer. Na internet é quase assim, mas com verbos diferentes.

Na primeira semana dei sorte suprir as exigências de um ou outro, e a falta de autoestima é tanta que nos sujeitamos a isso: atender aos pedidos, e pior ainda, há a frustração quando não somos o que algumas pessoas gostariam de encontrar. Uma banalidade sem fim. Encontro marcado, e agora? Na foto é uma coisa, no telefone também, mas é só ao vivo que as respostas aparecem. Pura tensão.

Irritabilidade e falta de atenção, ansiedade, nervosismo, frio na barriga. E toda essa preocupação não é sobre a roupa que pretende usar ou se o menino/menina vai ser o que a gente espera, e sim o contrario: será vou agradar a pessoa? A partir disso refleti e cheguei a mais um questionamento – qual imagem você quer criar e transmitir? Porque se estamos nessa loucura de nos moldarmos para atender as exigências de outras pessoas, como teremos a certeza de que todo esse circo vai valer a pena? Arriscar é preciso, mas estar disposto a passar por esse turbilhão de emoções por um simples jantar com um desconhecido me parece exagerado e sem propósito.

Se você sorri, é divertido demais. Se não fala, é tímido demais.  Se é alto, é muito alto, baixo, a mesma coisa. Com barba ou sem barba? Olhos verdes ou castanhos? O físico é o que vale, e ninguém está dizendo que a aparência não importa, só assusta viver em uma sociedade onde o seu par perfeito precisa ser mudo, viver em uma nuvem e ter tempo para tudo. Essa pessoa não existe, e se continuarmos procurando por ela, pode ser que o tempo para os encontros ao acaso se esgote, e a magia de conhecer alguém que realmente valha a pena acabe em um piscar de olhos.

É preencher formulários ou viver a vida. Em 2013, o que vai ser?
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