terça-feira, setembro 23, 2014

Amor e as (muitas!) redes sociais!


Viver em 2014 está cada vez mais sufocante. Em todos os sentidos. Não temos mais água, o calor está de matar, a pressa dominou todos os cidadãos do mundo e aplicativos – de todas as espécies e necessidades – tomaram conta do nosso cotidiano. Não fazemos mais nada sem eles. Postamos fotos, falamos com nossos amigos, compartilhamos imagens, informações, contamos calorias, editamos vídeos e até encontramos o amor da nossa vida, sem nunca ter visto, nem mais preto, nem mais branco. Bizarro...

A modernidade, a velocidade, a falta de filtro e todos os pormenores que um “App” oferece, ajuda, claro que sim, mas atrapalha também. E muito! No começo dos anos 2000, conhecer alguém era algo um acontecimento. Uma indicação do amigo, uma paquera na festa, troca de olhares. Aí vinham os telefonemas, que naquela época servia para marcar o próximo date. Tudo natural, sem dramas e sem pressa. 
Mas a evolução pegou todo mundo de jeito, e paquerar se tornou algo tão fácil. Tão fácil que até os mais reclusos se beneficiaram. Afinal, conhecer pessoas através de um aplicativo. De dentro de casa? De dentro do carro? De dentro do ônibus? Ah, que maravilha. O problema meu/minha amigo (a), é que com a proliferação dos downloads, nossa vida foi ficando cada vez mais exposta, e nós, em consequência disso, cada vez mais vulneráveis. Se antes, trocar o telefone e marcar um encontro era pura ansiedade, hoje, todo mundo sabe quem você é, o que você faz, onde sai para se divertir, quem são seus amigos, detalhes de seus (suas) ex-namorados (as) e por aí vai. Pânico, certo?
Em tempos como esse, tudo fica cada dia mais complicado. Mas não deveria ser o contrário? Deveria... Mas quem consegue ficar alheio ao que o outro pode te oferecer de bandeja? Quem resiste a curiosidade de ‘espiar’, já que em tempos de Big Brother, ficamos mais que experts nisso. Quem é aquele (a) amigo (a)? Que frase foi essa? E esse comentário que escreveram? O que será que significa? A vida se tornou um livro aberto, de proporções antes inimagináveis. Se soubéssemos de tudo isso, aposto que as devidas precauções teriam sido tomadas. Ou não?
O fato aqui é apenas pensar na vulnerabilidade, e na realidade que enfrentamos dia após dia. Uma curtida, singela e singular, pode não ser o que parece. Ou não. Quem garante? Um comentário fofo e educado pode deixar dúvidas e questionamentos. O ciúme, se é que ele pode ser citado aqui, ganhou novas proporções, e os motivos não faltam para que ele apareça aqui ou ali, afinal, passado todo mundo tem, e com essa enxurrada de redes sociais que passamos atualmente, só não se incomoda quem realmente é um ser evoluído. Para poucos, e garanto, essas pessoas são realmente abençoadas.  
Em tempos de crise, e da incessante busca por um amor verdadeiro, temos que torcer para que ele esteja bem ali, no próximo perfil. E torcer mais ainda para que nenhuma outra pessoa tente a sorte. Se antes encontrar com alguém era preciso deixar recado na secretária eletrônica, hoje, uma simples mensagem no Facebook pode mudar o destino de muita gente. Inclusive o seu. 
“O que o amor constrói, as redes destroem”, diz a minha editora-chefe. Será mesmo? Ainda não temos essa estatística, mas pelo bem-estar geral, tomara que essa frase seja mais ‘de efeito’ do que ‘de realidade’. Bom, pelo menos até o próximo App...